Marilúcia Cavalcante
Da Redação
Quando o quebra-quebra começa na casa do vizinho você imagina duas situações: é uma briga ou uma reforma. A segunda alternativa é confirmada depois que o barulho da furadeira atravessa a parede e chega aos seus ouvidos. Então a imaginação começa a calcular quantos dias a obra vai durar e qual será o nível do seu estresse.
A tolerância é maior quando a reforma é no seu apartamento, porque não tem jeito mesmo, mas no vizinho, a história é bem diferente. As queixas se tornam rotineiras, a obra parece que não terá fim e não dá para sair da rotina apenas para se ver livre do ruído.
O barulho é a principal dificuldade enfrentada pelo síndico, revela o Censo da SíndicNet 2010, seguido da inadimplência e dos bichos de estimação. Apesar do regimento interno de cada condomínio determinar um horário para reformas, geralmente das 8h às 18h, há moradores que não respeitam.
Também há casos em que o ruído vem de fora do condomínio. Durante 8 meses a moradora do bairro da Lapa, Bárbara Hartz, tem enfrentado diariamente, inclusive aos finais de semana, o barulho da construção ao lado do edifício. “Cheguei a sair de casa e abrir mão da minha rotina para ter um pouco de sossego.”
Em São Paulo, o Programa de Silêncio Urbano (Psiu) é responsável por combater a poluição sonora. Ele tenta manter a boa convivência entre a vizinhança e locais como bares, boates, restaurantes, salões de festas, templos religiosos, indústrias e até mesmo obras, mas não impede o condomínio de abrir uma reclamação, como fez Bárbara e seus vizinhos. Eles solicitaram a intervenção do síndico e esperam por uma resposta.
Um bom diálogo, respeito ao próximo e também ao regime interno do condomínio podem evitar uma série de problemas. "É importante a participação dos moradores nas assembleias e o síndico precisa dessa colaboração”, diz a presidente do Grupo Oma Administradora de condomínios, Maria Lúcia Abdalla.
Dicas para uma convivência pacífica
Antes de falar com o síndico, converse com o seu vizinho. Nesse contato as divergências podem ser resolvidas e quem sabe você não ganha um amigo para os churrascos e festas no salão do condomínio.
Se o pedreiro atrasou, se você não fica em casa ou precisa fazer a reforma no final de semana, abra o jogo e negocie. É a melhor forma de não atrapalhar os vizinhos e para não levar mais uma dor de cabeça ao síndico.
Ofereça ajuda ao seu vizinho. Não custa se oferecer para levantar um móvel, colocar uma prateleira, subir com os materiais. Pense nisso!
Indique um profissional para ajudá-lo. Talvez você conheça alguém que faça a reforma em três meses, enquanto aquele que ela contrataria (ou já contratou) levaria seis meses para fazer.